quinta-feira, 5 de julho de 2012

Apocalipse



Diminuindo a sensibilidade e elevando-me a extremos devaneios, 
Ouço clamores que parecem ser vindos do além ecoados numa súplica inexorável.
O penhasco está próximo de onde o Sublime está por vir 
Não havendo mais tempo para penitências ou lamentações.
Após um vasto tempo agonizando, 
Ergo as pálpebras e avisto um belo inefável querubim,
Recitando haicais em latim e pondo-se a chora ao notar uma isquemia generalizada e a presença de glóbulos negros em mim.
Em passos lentos afasta-se do mais belo símbolo cristão e repousas ao meu lado aguardando o esplêndido martírio onde todos verão num adro as atrocidades catastróficas sofridas e relatadas nos últimos textos do dito Livro Sagrado.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Primazia do Caos


Oh noites frias de janeiro, regadas a pesadelos mórbidos e sombrios.
É meia-noite, vejo-me sentado à beira do precipício do Vale das Sombras e da Morte.
De um lado, ouço vozes ecoados de angústia e esperança que interrogam constantemente fazendo-me pensar e refletir.
   Assim Dizem:
“Quanto vale a sua vida?
Até quando nasceremos, seremos honestos, rudes, sensíveis, hostil?
Até quando seremos felizes, tristes, hipócritas, sinceros, perversos?
Com tanto desamor, aonde chegaremos?
E por que morremos?
Até quando?”
   As dúvidas são intermináveis...
   Oh noites frias de janeiro, regadas a pesadelos mórbidos e sombrios.
Já passa da meia-noite, agora de joelhos postos à beira do mesmo precipício...
   Ouço vozes do outro lado ecoados de certeza e desilusão dando-me convicção de tal situação.
   Assim dizem:
“Tais seres de nada valem!
Chegará um tempo em que a infertilidade os envolverá.
Jamais serão rudes, honestos, nem sensíveis ou hostis.
Não serão mais hipócritas, perversos, nem sinceros nem ao menos felizes e nem tão pouco tristes !
   A ausência de sentimentos e ações os dominará.
Tornarão-se  indivíduos totalmente inertes e morrerão porque são meros ateus.
   O Nebuloso está se aproximando. Ansiosos e eufóricos meus olhos cianóticos os conseguem enxergar.
   Serão dias de total desespero e destruição com clamores de arrependimentos por subsistir.
   Sabe-se que são frutos de suas ações maléficas e tenebrosas plantadas no Terceiro Astro.
Nada mais existirá...
      Restando apenas rabiscos vagos e fúteis esculpidos em diversas pedras por anjos decaídos. Pequenos fragmentos retirados de um livro nomeado “Caos” escrito bem antes do Livro do Gênesis. Nele contém palavras e ensinamentos de como pensar em tentar sobreviver ao tão temido e catastrófico dia do Armagedom.
      O Nebuloso está bem próximo, alguns não vêem mas meus olhos cianóticos os conseguem enxergar.







Guilherme Neto 23-01-2011


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Marcha Fúnebre




Desde o balbuciar ingênuo até
Degrada-se dentre rugas e morbidez
Carrega-se uma mente totalmente enganada
Forças superiores os iludem
O sistema covarde os conduz como simples títeres
Às vezes pensam ser reis,
Mas no momento de colocarem as coroas
Tiram-se as máscaras a descobrem
Que são apenas indivíduos ineptos
E não passam de frágeis e lacaios mortais
Verdadeiros bobos da corte
O Castelo? Esse sim continua de pé.
Porque sua estrutura é forte e poderosa
Ao contrário deles, não foi feita de barro.
São forçosamente encaminhados a um funeral lúgubre.
Acompanhada por uma legião de maus discípulos
Uma semideusa nua, de sorriso lascivo...
E olhar luzente de donzela.
Os espera como desprezíveis mentecaptos
Para depositá-los em seus esquifes
Que a mesma aprecia como belos relicários.
E a marcha fúnebre prossegue.
Conseqüentemente serão esquecidos por todos
Sem deixar vestígio algum.

Horas Lúcidas




Estou débil, pessimista e só.
No coração um vácuo se abre
Sinto estar tão vazio, quanto o bolso de um mendigo.
Não sei se o que meu espírito peregrinamente arrasta.
É amor...
Ou o desejo de amar.
Se é saudade...
Ou a falta de estar.
Se é ódio
Ou se é...
...Deixa pra lá.
Encontro-me perdido em pensamentos horrendos e maléficos.
O nosso amor está doente, em coma profundo.
Num absoluto estado de eutanásia.
Naufragamos num mar de ilusões.
O nosso “Titanic” que nem Deus afundava.
Submergiu-se
E dificilmente virá à tona
As luzes do nosso palco se apagaram.
A platéia retirou-se no meio do espetáculo 
Não existem mais atores, contra-regras nem cenário.
O teatro encontra-se completamente vago
Aliás, permanece apenas um personagem no canto esquerdo.
Do escuro palco,
Sentado e de cabeça baixa.
Reflete sobre sua subvida vã
Em seus acrimoniosos pensamentos
Vivemos um jogo sem replay, sem belos lances sem gols.
Um jogo sem a mínima emoção
E a torcida onde está?
Não há ninguém torcendo por nós.
Sabemos que as flores de plástico não morrem, mas.
No verão amarelam e ressecam e no inverno dão bifo.
O mundo representa agora, o que uma belíssima flor sentiria por outra.
As evidências não mais existem
Alegria? Oh alegria...
Alegria é a tristeza quando vem escassa
E pouquíssimas serão as chances de virem poucas.
Por fim, sob o efeito de barbitúricos e anfetaminas.
Tento adormecer para despertar. 
De um sonho que nunca tive.

Drummonada



“No meio do caminho havia uma pedra

Havia uma pedra no meio do caminho

Havia uma pedra...

No meio do caminho havia também o amor

Que o coração bobo nele tropeçou,

E a cabeça na pedra tocou.

Coitado, teve traumatismo craniano,

E nunca mais se levantou

Nunca me esquecerei dessa atrocidade

Na minha jornada pobre e castigada

Que no meio do caminho, havia o amor.”


Obs: Em Homenagem ao Ilistríssimo Carlos Drummond de Andrade

Outonal


Quando penso na Terceira Estação*...
Lembro-me dos frutos, frutos doces, colheita, muita fartura.
Frutos belos, caídos ao chão, sendo amassados
Enfim...

É onde julgam que, quem planta o bem,
Colhe o bem.

Quando penso na Terceira Estação...
Reflito sobre minha vida, ou seja, uma subvida vã.
Reconheço estar na fase do Outono*.
Rivalizo-me* a um esgarabulhão* sem sair do lugar.
Vejo-me um verme miserável, repugnante e medíocre.

Um fruto podre, jogado ao chão, sendo pisoteado
Enfim...
É onde se concretiza que, quem planta o bem, (muitas vezes)
Colhe espinhos.

Sad End



Olhar, intenção, sentir, atração.
Recados, bilhetes, e-mails, cartão.
Conversas, diálogo, afinidades, entendimento.
Convites, baladas, convites, amigos.
Flores, passeios, jardins, praças.
Ficar, gostar, estar, estima.
Namoro, gostar, ilusão, paixão.
Paixão, paixão, paixão, paixão.
Promessas, juras, fidelidade, noivado.
Amor, amor, amor, amor.
Promessas, juras, fidelidade, dedicação.
Igreja, padre, emoção, aliança.
Núpcias, amor, núpcias, amor.
Casamento, matrimônio, união, conjugal.
Esposa, família, filhos, lar.
Felicidades, desejos, declarações, beijos.
Carícias, carinhos, beijos, amor.
Sexo, sexo, sexo, sexo.
Esposa, família, filhos, lar.
Trabalho, casa, trabalho, casa.
Casa, trabalho, casa, trabalho.
Casa, filhos, obrigações, cobrança.
Sogro, sogra, cunhado, cunhada.
Rotina, rotina, rotina, rotina.
Casa, trabalho, trabalho, casa.
Trabalho, casa, sogra, rotina.
Deveres, discussões, cobrança, obrigações.
Mentiras, desconfiança, ofensas, brigas.
Brigas, ofensas, agressões, hematomas.
Desculpas, perdão, desculpas, perdão.
Mentiras, brigas, hematomas, fraturas.
Raiva, vingança, ira, falsidade.
Ira, falsidade, intenção, traição.
Rancor, intenção, atração, traição.
Traição, traição, traição, traição.
Vingança, revólver, vingança, gatinho.
Alvo, mira, ansiedade, alvo.
Tiro, corpo, morte, morte.
Satisfação, nervoso, vingança, honra.
Tranqüilidade, calma, tranqüilidade, calma.
Polícia, algemas, homicida, grades.
Tortura, frio, tortura, grades.
Filhos, rua, frio, fome.
Abandono, filhos, fome, teto.
Velhice, arrependimento, revolta, desprezo.
Consciência, peso, consciência, peso.
Sofrimento, dor, angustia, desespero.
Corda, teto, nó, cadeira.
Corda, suicídio, morte, descanso.